A velha garoa de São Paulo está de volta numa versão exclusiva: extra, master, mega mais forte. Nem o limpador de pára-brisa na velocidade máxima dá conta. Chega 5 ou 6 horas da tarde o céu vira um cinza furtacor, com rosa, marrom, branco, preto, roxo e dependendo do localidade de São Paulo, azul também. Aí, como num passe de mágica cai uma chuva que não tem fim.
Em duas semanas me vi diante de lixos boiando e corredeiras de água que dariam para fazer rafting. E penso se, no futuro, os carros não deveriam ter a opção Anfíbio ou terem boias que autoinflassem em contato com águas acima de 30 cm.
O interessante foi o cenário de tudo isso: com a queda de energia, as ruas ficaram escuras. Prédios totalmente apagados, com exceção dos abastados que possuem gerador. Me senti como nas imagens mostradas na TV de Bagdá, onde, em momentos mais tensos só se via os faróis dos carros circulando a cidade à noite. Junto a isso árvores caídas, carros parados, pessoas andando, ensopadas, descalças ou esperando a chuva melhorar embaixo de toldos...
De dentro do carro não podia reclamar, mas confesso que em alguns lugares fiquei com medo. Em poças que achava que eram rasas via que não eram tão rasas assim, e, sem alternativa, e sem mudar a marcha, acelerava para sair logo dali rezando para não ter um buraco, bueiro aberto ou não ficar mais fundo.
Mas, JURO, o meu medo maior é passar debaixo das árvores. Na República do Líbano, Avenida Indianópolis e mesmo em Moema, as árvores balançavam como se fossem de elástico. Alguns galhos mais finos estavam espalhados nas ruas. Fui dirigindo olhando para cima, (como se isso adiantasse alguma coisa na hora que cair um galho ou a própria árvore na minha cabeça), e torcia para o farol abrir mais rápido do normal imaginando o que eu faria se uma árvore ou galho cair em cima do carro.
O bom de tudo isso é que cheguei em casa sã e salva, com meu carro inteiro e sem ver uma árvore caída. E espero do fundo do meu coração que assim permaneça.
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