1.3.10

O Aeroporto

6a feira fui buscar uma amiga no aeroporto. Como boa paulistana precavida e preocupada, cheguei meia hora antes. Fiquei lá, em pé, em frente ao portão de desembarque.
É óbvio que durante estes 30 minutos caraminholei e observei tudo e mais um pouco. Olhava as pessoas, as malas, quantos homens e quantas mulheres, as pessoas que estavam com as plaquinhas, o cara gritando que o taxi é no subsolo...

Gente quanto homem tem no Aeroporto! A maioria era do sexo masculino (eu acho)....Fiquei pensando que se a coisa continuar assim, daqui a pouco não haverá só pessoas com plaquinhas com o nome do passageiro ou da empresa. Vão haver mulheres de posse de suas plaquinhas defronte ao portão de desembarque com os seguintes dizeres:

- 25 anos, loira, sem filhos, procuro carioca para relacionamento sério.
- 38 anos, ruiva, desesperada para casar, aceito qualquer coisa.
- 19 anos, morena, procura companhia para curtir a balada da noite paulistana. 

Mas o interessante e o que mais despertou meu intelecto, foi relembrar minha infância: ir ao Aeroporto era coisa de gente rica. Era muito chique ir ao Aeroporto.
Lembro que a gente se arrumava para ir ao Aeroporto. E quando alguém da família ia viajar de avião iam 25 pessoas só para a despedida, no aeroporto. Esperávamos ansiosamente a data, era como um evento. Punhamos nossa melhor roupa e o melhor sapato. 

Melhor que isso era quando meu Pai voltava com aquelas Maletas Infantis que as companhias aéreas davam, de alimentação e de diversão. As comidinhas eram diferentes, vinha aquela manteiguinha, chocolatinho, paozinho...Tudo pequenininho e gostosinho...E aí vem um segundo momento na minha memória que eram as brigas com o meu irmão para ver quem ia ficar com o que...

Mas voltando à minha 6a feira... Posso resumir que das 100 pessoas que passam por aquela porta em 5 minutos, 98,8 delas saem falando no celular.  Que coisa absurdaaaaaaa!! Parece que é obrigatório. Acredito que as outras 1,2, não saíram falando no celular porque ele estava sem bateria.

Hoje as coisas estão bem diferentes. Todas as classes e níveis sociais viajam de avião; avião é como andar de carro ou de ônibus; algumas pessoas vão chiquerésimas outras estão de havaianas; algumas famílias continuam a fazer da ida ao Aeroporto um evento e outras saem sozinhas esperando que alguém esteja ali para fazer surpresa e nada; você faz bate e volta pro Rio, BH, Floripa; você parcela em até 24 vezes. Ficou possível e acessível.

É interessante a evolução da humanidade, da sociedade e da vida. Não é só na natureza que as coisas mudam, crescem, evoluem e morrem. O Aeroporto em tempos atuais é a prova viva disso.

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